Tive a sorte de crescer agarrada às saias da minha mãe , aos sapatos demasiado altos, aos vestidos demasiados largos mas que mesmo assim teimava vestir e calçar. Foi aí que nasceu a minha paixão pela moda. Não sou especialista nem pretendo ser, no entanto ter crescido a ouvir o som da velha singer da minha mãe trabalhar deixou em mim memórias que explicam o meu gosto pelos ” trapos” , como gosto de lhes chamar. Durante a minha infância e adolescência nem sempre me foi fácil encontrar roupa com que me conseguisse identificar, gostava de coisas que não encontrava nas lojas. Lembro-me de querer umas calças curtas de ganga ( os lendários corsários que viriam a ser moda uns anos depois ), como não havia nas lojas… A minha mãe fazia. Os vestidos tornavam-se saias, as calças ficavam transformadas em carteiras e sei lá mais quantas coisas inventávamos. Aprendi a nunca deitar fora um pedaço de tecido que sobrava… Nunca sabia quando poderia vir a dar jeito numa próxima invenção. A minha mãe não era costureira, eu não era estilista mas éramos felizes junto daquela máquina de costura rodeada de retalhos. O tempo passou, o gosto ficou. As saias da minha mãe (que quase sempre usa calças) são a minha inspiração.

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